quinta-feira, 15 de agosto de 2013

II Produção textual de Português

Hoje, 1º de outubro de 2026
Querido diário,

      Hoje estou completamente exausta. A única motivação, ainda existente, que me fez vir a escrever são as recordações maravilhosas - que nunca serão esquecidas - vividas hoje na comunidade do Alemão. Nosso plantão foi lá, estava lotado de crianças, adultos e idosos. Essa comunidade é muito carente, mas só economicamente. As pessoas que vivem lá, tem uma acolhida impressionante, ate mesmo com quem eles não conhecem. 
      Foi magnificante especial essa visita médica. Durante as consultas, eram perceptíveis o brilho no olhar de cada um, a esperança, o amor. Uma criança me chamou a atenção: o seu nome era Marcelo. Garoto alto e magro, mas com um sorriso contagiante. Chegara então a vez dele, mas estava sozinho, sem os pais. Perguntei por quê e como ele veio parar aqui. E, com leveza ao falar, me disse que sua prima o inscreveu (pois vivia com sua tia) e seus pais trabalhavam longe dali. Desconcertado, perguntou:
      - Porque na sua roupa tem M-A-R-I-A E-D-U-A-R-D-A, P-E-D-I-A-T-R-A?
      - Maria Eduarda é o meu nome, e pediatra minha profissão, que cuida de crianças assim como você. 
      -Ah ok. Em vim aqui por que sinto fortes dores no corpo, "dôtora".
      Ficou me contando sua vida, antes de examiná-lo. Por fim, após gritos de dores, contatei apendicite. Os pais do menino só chegariam no final de semana e a doença evoluíra. Ele era apaixonante: mesmo com tanto sofrimento, ainda era alegre, simples e muito tímido. Encantada, trouxe ele para o Rio e paguei sua cirurgia. Antes, cumprimentei-o:
      - Marcelo, ainda dói? 
      - Não tanto quanto minha saudade por meus pais, "dôtora" .
      Isso só me fez perceber que humildade e carinho, o dinheiro não compra; muito menos escolhe raça, religião ou condição econômica e social: simplesmente aparece e é despertada em cada um de nós. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário