quarta-feira, 24 de julho de 2013

Liberdade ainda que tardia! ²

Onde estou? Este sítio desconheço; 
Quem fez tão diferente daquele prado? 
Tudo outra natureza tem tomado,
E em contemplá-lo, tímido, esmoreço. 

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado; 
Ali em vale um monte está mudado: 
Quanto pode dos anos o progresso!

Árvores aqui vi tão florescentes, 
Que faziam a perpétua primavera: 
Nem troncos vejo agora decadentes. 

Eu me engano: a região esta não era; 
Mas que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera.

- Cláudio Manuel Azevedo 

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